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Fazia uma semana que havia chegado em Paris e caminhava pelas ruas tentando descobrir os caminhos. Cuidadosamente estudava mercados e lojas no percurso. Tudo muito importante.
A idéia de vir morar sozinha em um pais estranho agora lhe parecia idiota. Recomeçar a vida, o conceito contido no sulfixo da palavra talvez não se aplique. Como a gente refaz uma coisa que não era antes? Parou e olhou uma bonita saia na vitrine. Definitivamente não sabia se vestir como as parisienses, pensou. Mas a loja parecia boa e não tinha preços exorbitantes como a maioria delas em Saint German de Près. Memorizou o nome, o qual certamente não lembraria depois.
Entrou no mercado e adquiriu o que achou que era necessario. Não queria comprar muita coisa, porque teria que ir carregando tudo. Quando saiu com mais de quatro sacolas achou prudente leva-las para o apartamento. Riu com a idéia de ter chamado o lugar onde morava de apartamento.
Ainda não havia se habituado a chamar seus 15 metros quadrados que incluiam quarto, banheiro e cozinha de casa. Tentava evitar essa sensação de provisioriedade, mas era inevitavel. Seu pequeno estudio à duas quadras da universidade estava bem arrumado, depois de dois dias de faxina. Quando foi a ultima vez que fizera uma limpeza assim no seu quarto em casa? Não lembrava.
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Subimos calmamente o morro e paramos para comprar uma baguete. Cruzou minha mente a idéia de caminhar com uma baguete debaixo do braço, mas não o fiz.
E enquanto o sol se punha numa sexta-feira à tarde caminhavamos pelas estreitas ruas. Subimos as escadas enquanto comiamos pedaços da baguete. A visão da grande igreja, toda branca, e uma cidade inteira embaixo pareceram normal e eu sorri.
Quem sabe Paris não poderia ser, uma dia, minha casa.
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Chegar. Sensação de estar perdida. Não sei explicar aonde eu quero chegar. Não falo a sua lingua…quer dizer falo, mas muito mal. Chorar a noite toda e por mais uma semana. Estar num pais onde não se entende o que é saudade.